Lançado em 2022 na Europa, tendo sido eleito Carro do Ano 2023 por lá, somente agora, quatro anos depois, o Jeep Avenger está chegando ao Brasil, fabricado em Porto Real, no estado do Rio de Janeiro, em três versões de equipamento: Altitude (R$ 114.990 para as primeiras mil unidades, depois sobe para R$ 119.990), Latitude (R$ 135.990) e Limited (R$ 145.990).
Lá fora, ele foi apresentado como um utilitário elétrico que depois ganhou uma versão com motor 1.2 a gasolina. Aqui, ele é um falso híbrido, chamado de Mild Hybrid (MHEV): tem um pequeno motor elétrico de apenas 12 volts que só serve para melhorar a retomada e o consumo. Os carros híbridos leves no exterior, pelo menos, tem 48 volts. O motor flex é o 1.0 de três cilindros e 12 válvulas com turbo e injeção direta. O mesmo dos carros da Fiat, Peugeot e Citroën. Afinal, a Jeep também faz parte da Stellantis.
Com 4,08 metros de comprimento e 2,56 m de distância entre-eixos, o Avenger se posiciona abaixo do Renegade e vem para disputar um segmento formado no país por hatches compactos que se acham SUV. São eles: Chevrolet Sonic (que é um Onix com grade, faróis e lanternas reestilizados), Renault Kardian (uma adaptação brasileira do Dacia Sandero Stepway de terceira geração), Fiat Pulse (uma jabuticaba, ou seja, um carro inventado para o Brasil) e Hyundai i20 (um projeto mundial em gerações passadas que na vez do Brasil virou uma jabuticaba). Os três únicos concorrentes que têm cara de SUV subcompacto de verdade são o Volkswagen Tera, o Honda WR-V e o Nissan Kait, mas o primeiro é uma jabuticaba, o segundo foi feito para mercados emergentes e o último é a geração anterior do Kicks requentada com frente e traseira modificadas.
Vou analisar agora o Jeep Avenger, concentrando na versão top Limited, comparando-o com os seus concorrentes e no futuro fazer um comparativo.
Estilo
****

Suas linhas arredondadas atrás e retas na frente misturam as duas últimas gerações do Compass: a grade frontal com faróis apertados lembra a nova geração e a traseira com a coluna lateral larga e curvada e as lanternas quadradas com contorno em baixo relevo na tampa do porta-malas remetem à versão passada. Os elementos internos das luzes vieram do Renegade. A maçaneta das portas traseiras fica na moldura da janela.
É um estilo agradável, mas a demora em vir para o Brasil, fez com que ele já chegasse datado, próximo de ganhar nova geração em poucos anos. Para compensar, o Avenger já veio com o face-lift que mudou o para-choque, a grade de sete fendas, com uma cobertura com iluminação dividida em sete seções (só na versão top Limited) e os faróis, reduzidos pelo prolongamento da régua da grade, um aplique na base e pelas luzes diurnas de LED.
Acabamento
****
No interior, o painel, igual ao do europeu, é horizontal com faixa de plástico brilhante em tom areia na versão Limited, cinza claro na Longitude e preta fosca na Altitude, tela multimídia de 10 polegadas flutuante (mas com tubo atrás) e quadro de instrumentos digital de 10 polegadas na versão Limited (7" nas outras três). Há vários itens aproveitados de carros da Peugeot, como os comandos dos vidros elétricos e dos retrovisores, e da Fiat, como a alavanca de câmbio da picape Toro.
A parte superior é revestida de plástico duro, mas há uma prateleira coberta por material macio na parte inferior, acima da área do porta-luvas, e também no topo das portas dianteiras. Nas traseiras é plástico duro. O aplique colorido também aparece como moldura no console, que é mais simples do que o europeu, que opera o câmbio por botões. E há iluminação ambiente vertical nos cantos do painel. O volante tem base achatada e três braços com miolo redondo. Se tivesse soft touch na parte superior do painel eu daria cinco estrelas na avaliação.
Espaço interno
**
Com 2,57 metros de distância entre-eixos, o Avenger oferece um espaço razoável para os joelhos e a cabeça no banco de trás, onde não há saída de ar. Nas medidas internas da revista Quatro Rodas, ele fica atrás do Tera e do WR-V. Tem 84 contra 89 cm do Volkswagen. Na altura, a desvantagem é de apenas um centímetro: 95 contra 96 cm. O Honda, que tem 4,32 m de comprimento e 2.65 m de entre-eixos, é bem mais espaçoso, tendo 1,02 m e um metro respectivamente. O Jeep só oferece mais folga na largura, com 1,44 cm e, mesmo assim, empatado com o WR-V.
Porta-malas
*
O porta-malas do Avenger tem apenas 321 litros. Contra os hatches que se acham SUV só é um litro maior que o Fiat Pulse. Mas fica atrás do Renault Kardian (410 litros), do Chevrolet Sonic (392 litros) e do Hyundai i20 (346 litros). Já comparado com os verdadeiros SUV, aí é que é pequeno mesmo, pois o Tera tem 350 litros e o WR-V, que pertence a outra categoria, tem 458 l.
Motor
***
O motor 1.0 turbo de três cilindros do Avenger é o mesmo do Fiat Pulse, mas perdeu 14 cavalos para pagar menos imposto. Com 116 cv e 20,4 kgfm de torque, acabou ficando com a mesma potência do rival Tera, mas distante dos 126 cv do WR-V, que usa um quatro cilindros 1.5. É uma potência mediana e só não é pior porque Hyundai i20 e Chevrolet Sonic têm 115 cv.
O motor elétrico do Avenger tem apenas 12 volts e substitui o alternador e o motor de partida convencionais. É alimentado por uma pequena bateria de íons de lítio de 256 Wh que vai embaixo do banco do motorista. O sistema híbrido serve apenas de apoio para a retomada e o consumo. O que me revolta são essas montadoras multinacionais pão-duras venderem esse híbrido leve com o mesmo apelo dos híbridos de verdade, como os que são carregados pelo motor a gasolina ou os plug-in, e até mesmo dos elétricos. O sistema deveria ser chamado de híbrido pena, pois os leves ao memos tem motor de 48 volts.
Câmbio
*****
A primeira avaliação cinco estrelas é para o câmbio, que é um CVT de sete marchas simuladas. O mesmo do Pulse. O sistema também é usado no WR-V. Os demais concorrentes usam um automático de seis marchas. O Kardian usa até um automatizado de dupla embreagem. A tração é dianteira e não há opção de tração integral, sendo o primeiro Jeep com este feito. Pode ter no futuro. Mas tem seletor de terreno.
Desempenho
****
O Jeep Avenger é mais rápido que os dois verdadeiros SUVs subcompactos. Acelera de 0 a 100 km/h em 10,8 segundos e recupera a velocidade entre 80 e 120 km/h em 8,2 segundos, segundo a Quatro Rodas. Mas os números podiam ser melhores. O Fiat Pulse, por exemplo, com o mesmo motor, porém mais potência, acelera em 9,9 segundos e retoma em 7,4 segundos. Um décimo mais rápido que o Renault Kardian.
Consumo
**
Apesar da boa média de 11,1 km/l na cidade e 14 km/l na estrada, de acordo com a Quatro Rodas, o Avenger fica atrás dos quatro principais concorrentes: Tera, Pulse, Kardian e WR-V. Destes quatro, o único híbrido é o Fiat. Pelo menos aqui na avaliação do consumo, o motor elétrico do Avenger só serviu para ganhar uma segunda estrela.
Segurança
***
O Avenger é bem equipado desde a versão básica Altitude, que tem de série seis airbags, aviso de colisão frontal com frenagem de emergência, assistente de permanência em faixa, controle de estabilidade, detector de fadiga do motorista, piloto automático, faróis altos automáticos, leitura de placas de velocidade, assistente de descida (hill descent control) e monitoramento de pressão dos pneus.
Faróis de neblina com função cornering lights, piloto automático adaptativo e sistemas de auxílio à condução também com câmera, além do radar são de série na versão Longitude, que tem como opcionais detector de pontos cegos e sensores de estacionamento dianteiros e laterais. A top Limited tem piloto automático adaptativo com centralizador de faixa e monitoramento de pontos cegos.
Já na frenagem, o Avenger não se saiu bem, segundo a Quatro Rodas. Para a 80 km/h em 25,9 metros e a 120 km/h em 58,8 m. Tera (24 m/54,6 m) e WR-V (23 m/51,5 m) foram bem melhores. Entre os hatches, só o Pulse a 120 km/h é pior (59,3 m).
Conforto
****
No nível de ruído, a Quatro Rodas obteve 64,4 decibéis a 80 km/h e 69,1 decibéis a 120 km/h no Avenger. Um número razoável, que só o deixa atrás dos 63,2 dBA e 68,5 dBA do Pulse. Os demais são mais barulhentos que o Jeep.
Preço
*****
O Jeep Avenger já está à venda em três versões de equipamento, todas com motor 1.0 turbo e câmbio automático CVT. A básica Altitude custa R$ 119.990, a intermediária Latitude sai por R$ 135.990 e a top Limited por R$ 145.990.
A única cor de cortesia é a sólida Preto Carbon. A Branco Snow. que é sólida, custa R$ 1.100. As metálicas Vermelho Sunset, Cinza Granite e Cinza Concrete saem por R$ 2.200. As versões Longitude e Limited também têm a opção Verde Boreal, pelo mesmo preço. E na Limited, todas, têm teto preto, sem custo extra, mas na Preto Carbon é monocromática.
![]() |
| Avenger Altitude |
O Volkswagen Tera custa R$ 107.190. Mas este preço é da versão básica, a 1.0 MPI, que não tem turbo no motor, e ainda tem câmbio manual. O Tera mais barato com motor 1.0 turbo e transmissão automática é o Comfort, que sai por R$ 133.190. O top de linha é o High, por R$ 146.190, um pouco mais caro que o Avenger Limited. Com a pintura metálica, que custa R$ 1.950, acaba ficando uns 50 reais mais barato que o Jeep com mesma pintura. O Honda WR-V custa R$ 149 mil na versão EX e R$ 154.000 na EXL.
![]() |
| Avenger Longitude |
O Avenger é mais barato que os verdadeiros SUVs compactos, mas chega a ser mais caro que os hatches metidos a SUV nas versões mais completas. O Chevrolet Sonic RS custa R$ 140.990, mais barato que o Jeep mais completo, mas na versão básica Premier, de R$ 134.990, é mais caro que o Avenger básico. O único Fiat Pulse com motor 1.0 turbo é o Audace, que custa R$ 137.990. O Pulse mais completo no geral é o Abarth, que tem motor 1.3 turbo. Já o Fiat mais barato é o Drive 1.3, por R$ 104.990. E o Renault Kardian mais barato com o mesmo trem de força do Avenger é o Evolution, que custa R$ 126,590 e o mais caro é o Iconic, por R$ 140.990. Com câmbio manual, é o Vibe, que sai por R$ 99.990.
![]() |
| Avenger Limited |
Assim, apesar de ser mais caro que algumas versões dos concorrentes, dei pontuação máxima para o preço do Jeep Avenger.
Equipamentos
*****
A versão Altitude vem de série com ar-condicionado digital de uma zona, faróis full led automáticos, lanternas de led, freio de estacionamento eletrônico, chave presencial para partida do motor, quadro de instrumentos de 7″, central multimídia de 10″ com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, sensor de chuva, seletor de modos de condução, sensores de estacionamento traseiros, duas portas USB (A e C) dianteiras, bancos revestidos de tecido, maçanetas e retrovisores externos em preto, e rodas de liga leve de 16″ com pneus 215/60 e estepe.
Os itens de segurança já foram mencionados no respectivo tópíco, mas não custa nada repetir: seis airbags, aviso de colisão frontal com frenagem de emergência, assistente de permanência em faixa, controle de estabilidade, detector de fadiga do motorista, piloto automático, faróis altos automáticos, leitura de placas de velocidade, assistente de descida (hill descent control) e monitoramento de pressão dos pneus.
Câmera de ré, teto pintado em preto e barras de teto fazem parte do pacote opcional High Altitude, que custa R$ 5 mil.
A Longitude tem os mesmos itens da Altitude, mas adiciona ar-condicionado digital automático, chave presencial para travamento/destravamento por aproximação, câmera de ré, alto-falantes traseiros, aletas para troca de marcha, carregador de celulares por indução, bancos com revestimento de tecido e vinil, maçanetas externas na cor do veículo, retrovisores em preto brilhante, barras de teto, rodas de 17″ com pneus 215/60, faróis de neblina com função cornering lights, piloto automático adaptativo e sistemas de auxílio à condução também com câmera, além do radar.
O pacote Convenience custa R$ 3.500 e é composto por duas portas USB traseiras, retrovisor interno sem borda, retrovisores externos rebatíveis, detector de pontos cegos e sensores de estacionamento dianteiros e laterais.
Teto solar panorâmico com abertura elétrica, quadro de instrumentos de 10,25″ e multimídia com ChatGPT embarcado fazem parte do pacote Teto solar + Jeep Adventure Intelligence, que custa R$ 8.500.
A Limited completa com teto preto, retrovisor interno sem borda e eletrocrômico, luz ambiente com oito cores, faróis full led matriciais, multimídia com ChatGPT e navegação embarcados, câmera dianteira, retrovisores externos com rebatimento automático, quadro de instrumentos de 10,25″, sensores de estacionamento frontais, portas USB traseiras, grade frontal iluminada, rodas de 18″ com pneus 215/55, piloto automático adaptativo com centralizador de faixa e monitoramento de pontos cegos. O único opcional é o teto solar, por R$ 7.500.
Mantive a avaliação máxima nos equipamentos, mas faço a ressalva de que alguns itens presentes na versão básica deveriam ser mais completos, como o ar condicionado digital, que poderia ser pelo menos automático, e a chave presencial poderia servir também para abrir o carro, o carregador por indução poderia vir na versão Altitude e a intermediária Longitude deveria ter retrovisores externos rebatíveis eletricamente de série. Apesar disso, o Avenger merece as cinco estrelas nos equipamentos, principalmente pelos itens de segurança.
Conclusão
****
O Avenger se destacou no câmbio e no custo-benefício. Tanto o preço quanto os equipamentos ganharam cinco estrelas. Assim como a transmissão. Outros pontos positivos foram no estilo, no acabamento, no desempenho e conforto. Motor e segurança ficaram na média. Nesta última, a culpa foi da frenagem fraca perante aos concorrentes, mas que foi salva pela generosa oferta de equipamentos desde a versão básica. Espaço interno, porta-malas, este com a pior avaliação, e consumo são os pontos fracos do Jeep mais compacto de sempre, que foi aprovado, pois obteve quatro estrelas na média (mais precisamente 3,5 estrelas, que eu arredondei pra quatro).
TEXTO: GUSTAVO DO CARMO | FOTOS: DIVULGAÇÃO
DADOS DE TESTE: REVISTA QUATRO RODAS
DADOS DE TESTE: REVISTA QUATRO RODAS


















0 Comentários