O Audi Q7 foi o primeiro utilitário esportivo da marca alemã dos quatro anéis. Posicionado como um SUV grande, ele já era luxuoso na primeira geração. Quase trinta anos depois, a Audi foi além e lançou um modelo maior e mais luxuoso: o Q9, que também supera o Q8, que é elétrico.
O novo utilitário vai concorrer com o BMW X7 e o Mercedes GLS. Por atender um público mais conservador, seu estilo é sóbrio, com linhas retas. Curvas só nos vincos laterais. A indiscrição se limita à enorme grade com filetes verticais ou em forma de colmeia na versão esportiva SQ9. Os faróis são quadrados e de máscara escura ao redor da grade, quase no para-choque.
Aliás, a iluminação é um show à parte. Os faróis são de LEDs matriciais digitais (Matrix LED) e as luzes diurnas acima deles são formadas por micro-leds. Eles projetam alerta de gelo na pista, destacam pedestres à noite e ajustam o facho em trechos de obras.
Nas soleiras das portas, módulos de leds instalados fazem projeções de boas vindas aos passageiros. Quando as portas são abertas, um losango se forma e se desdobra para formar um caminho iluminado até o veículo. Também há a projeção de alertas no chão ao lado da porta quando ciclistas ou carros se aproximam.
Atrás, as lanternas finas são de OLED digitais, com painéis curvos.As peças acompanham os vincos da carroceria e somam 512 segmentos luminosos divididos em seis painéis, ampliando a visibilidade em ângulos laterais e também projetam alertas de emergência, como um triângulo de sinalização, para veículos que vêm atrás. Outro recurso de segurança é o indicador de direção projetado no asfalto, que expõe uma seta iluminada ao lado do carro em sincronia com os piscas dinâmicos.
O Q9 mede 5,31 metros de comprimento, 2,21 m de largura, 1,81 m de altura e 3,14 m de distância entre-eixos. É o maior carro da história da Audi. O Q7 tem 5,07 m. Os concorrentes BMW X7 e Mercedes GLS têm, respectivamente, 5,18 e 5,20 m. A plataforma é a PPC, desenvolvida em parceria com a Porsche.
No interior, o painel segue o estilo dos Audi mais recentes, dominado por telas em OLED de moldura arredondada, com a multimídia, de 14,5 polegadas, voltada para o motorista. O quadro de instrumentos eletrônico tem 12,3 polegadas. E há uma terceira tela, à frente do passageiro, com o mesmo tamanho dos instrumentos. O sistema roda Android Automotive OS com ChatGPT integrado ao assistente de voz e oferece sistema de som Bang & Olufsen 4D de 1.360 W com 22 alto-falantes – incluindo falantes e atuadores de vibração nos encostos de cabeça dianteiros. Há dois carregadores por indução e iluminação interativa em toda a largura do painel, que não é apenas decorativa. Ela também muda conforme a música e dá avisos ao motorista. Madeira, alumínio escovado, couro premium, malha sintética e fibra de carbono são alguns dos adereços que decoram a cabine. O teto solar panorâmico tem 1,5 m² de área envidraçada e traz opcional de opacidade ajustável em nove segmentos, dispensando cortinas físicas, além de iluminação por 84 leds integrados.
O Q9 oferece sete lugares (2+3+2) e todos com ajustes elétricos, mas só os dianteiros têm massagem, aquecimento e ventilação como opcionais. A fileira do meio também desliza automaticamente para acessar a terceira fileira, cujos bancos também se rebatem sozinhos ao toque de um botão no porta-malas de 684 litros com cinco lugares. Há a opção de ainda mais luxo com seis lugares. As portas também têm abertura e fechamento elétricos, acionados por botão ou pelo aplicativo myAudi, contando com sensores que interrompem a abertura caso detectem obstáculos ou a aproximação de ciclistas/pedestres. A abertura chega aos 90°.
Entre os itens de assistência à condução estão o assistente de condução adaptativo plus, que permite rodar sem as mãos no volante em rodovias homologadas a até 130 km/h nos mercados europeu e norte-americano. Em caso de emergência médica sem resposta do condutor, o veículo é capaz de se direcionar sozinho ao acostamento e realizar a parada total com acionamento do serviço de resgate.
O Q9 terá quatro opções de motorização. Ele chega ao mercado inicialmente com um V6 3.0 turbodiesel associado ao sistema híbrido leve MHEV plus com bateria de fosfato de ferro-lítio e um compressor elétrico (EPC). Esse gerador elétrico atua nas saídas e ultrapassagens, fornecendo até 24 cv de potência extra e permitindo pequenos deslocamentos elétricos. Ele rende 299 cv e 64,3 kgfm de torque (haverá também uma opção calibrada para 245 cv e 51 kgfm em mercados específicos), gerenciado pelo câmbio automático de oito marchas e tração integral permanente.
Nos Estados Unidos, o Q9 começará com um motor V6 2.9 biturbo de 435 cv. Haverá ainda a versão esportiva SQ9, equipada com um V8 4.0 biturbo de 599 cv, que promete ir de 0 a 100 km/h em apenas 3,8 segundos.
A suspensão é pneumática adaptativa, que permite ajustar a altura em até 90 mm entre a posição mais elevada e o modo de desembarque (que rebaixa a carroceria em 62 mm). Opcionalmente, o modelo pode receber esterçamento das rodas traseiras em até 5 graus no sentido oposto às dianteiras em baixas velocidades para reduzir o diâmetro de giro, ou no mesmo sentido em velocidades de rodovia para estabilizar trocas de faixa. O conjunto traz freios com discos dianteiros de 400 mm e pinças fixas de seis pistões.
Na Espanha, o Q9 custará 126.090 euros, o que equivale a R$ 754.127,90 em conversão direta. A pré-venda começou em julho, mas as unidades só serão entregues em novembro, fabricadas em Bratislava, Eslováquia. No ano que vem, serão lançadas as versões híbrida plug-in e V6 a gasolina. Também em 2027 deve chegar ao Brasil, em versão ainda não definida.
TEXTO: GUSTAVO DO CARMO, COM TRECHOS DA REVISTA QUATRO RODAS
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