DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO - VOLKSWAGEN POLO

 

Quando lançou o Golf em 1974, a Volkswagen já estava disposta a não deitar sobre o sucesso do novo modelo e logo no ano seguinte apresentou o Polo, um hatch menor e com o mesmo estilo do seu então promovido hatch médio. O recém-lançado ID.Polo é a sétima geração. que passa a ser totalmente elétrica.


1a Geração (1975)


O Polo nasceu em 1975, apenas na carroceria de duas portas (ou três, para o padrão europeu), nas versões básica e L. Era o clone do Audi 50, lançado um ano antes, praticamente junto com o Golf. Se a sexta geração ultrapassou os quatro metros, o primeiro tinha apenas 3,65m. O motor era de 900 cm³ com apenas 40 cv, mas logo no ano seguinte, surgiu o 1.1 de 50 cv, da mesma família que no Brasil foi chamada de AP.





Em 1977 foi lançado o sedã Derby, também com apenas duas portas, mas com porta-malas de 515 litros e motor 1.3 de 60 cv. Em 1979, um face-lift colocou mais plástico na grade dianteira de um único par de faróis redondos e surgiu a primeira versão esportiva, a GT, com o motor do sedã.







2a Geração (1981)

A segunda geração foi lançada em 1981 com estilo próprio, pois o Audi 50 já havia saído de linha em 1978. As quinas foram suavizadas, os faróis ficaram mais recuados e as lanternas passaram a verticais. A carroceria de traseira de corte abrupto. que não chegava a ser uma perua, lançada já na primeira geração. continuou em linha. O sedã passou a ser chamado de Classic. Em 1985 foi lançado o Polo G40, esportivo de motor 1.3 com compressor mecânico que levava a potência para 115 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h era feita em 9 segundos. A sua grade tinha dois pares de faróis. No ano seguinte, surgia o motor a diesel, baseado no 1.3 a gasolina, só que com apenas 46 cavalos.









Em 1990 foi lançada uma atualização que se colocava entre um face-lift e uma nova geração. Os faróis passavam ser retangulares e as lanternas traseiras trapezoidais. Os motores passavam a ter injeção eletrônica, sendo monoponto para o 1.1 e multiponto para os 1.3, que já tinha várias opções de potência como 55, 75 e 115 (este do G40).




3a Geração (1994 - 1997 no Brasil, com o sedã Classic)

A terceira geração foi totalmente inovadora. O hatch ficava mais alto e com traseira reta (e arredondada). A grade preta ganhou uma moldura em U na cor do carro. Os faróis continuaram retangulares, mas as luzes de pisca passavam a invadir a lateral. As quatro portas laterais eram usadas no Polo pela primeira vez, tanto no hatch quanto no Classic, este derivado do Seat Cordoba. O comprimento já estava em 3,71m. Uma versão curiosa foi a Harlequim, totalmente colorida, com portas, teto, capô e para-lamas de cada cor personalizada.


O interior ficava mais sofisticado e o painel integrado ao quadro de instrumentos serviu de inspiração para a segunda geração do nosso Gol. Tinha motores 1.0, 1.4. 1.6 e 1.9 turbodiesel.




Polo Harlequin

Aliás, por falar em Brasil, o Polo começou a ser vendido na América do Sul, mas o hatch desta geração nunca chegou ao nosso país. Para cá vieram apenas o sedã Classic, com motor 1.8, e o furgão Caddy 1.6 (em alguns países vendido também como picape), que aqui recebeu o nome genérico de Van (Inca para a Seat), ambos importados da Argentina. Na Europa, o Polo ganhou a sua primeira versão oficialmente perua, chamada de Variant. Também era derivada do Seat Cordoba Vario. Por fim a esportiva GTI, com apenas duas portas na carroceria e motor 1.6 16v de 119 cavalos.





Em 1999, o hatch ganhou um face-lift que deixou a grade levemente mais pronunciada (algumas versões na cor do carro) e os faróis maiores com refletores transparentes. Por dentro, o painel ficou mais simples, com a parte central curvada separada dos instrumentos individualizados. As saídas de ar acompanhavam essa curva, com as centrais lembrando o Fiat Grand Siena brasileiro. O Classic só ganhou este painel, pois a frente manteve a grade, mas ganhou faróis de lente translúcida. Só este chegou ao Brasil em 2000.



4a Geração (2001 - 2002 no Brasil)

O estilo voltou a mudar radicalmente. O Polo voltou a ficar mais hatch, mais conservador e de novo com faróis circulares. Só que na quarta geração, apresentada em 2001 na Europa, o conjunto ótico passou a vir separado da grade (agora com moldura discreta), lembrando o Mercedes Classe E de 1995. A plataforma era inteiramente nova, a chamada PQ24.


Esta plataforma, além do próprio Polo, foi usada em outros três Volkswagen aqui no Brasil: Fox, Gol de terceira geração (chamada pela marca de Geração 5) e Voyage. Foi por isso que o Polo IV chegou ao Brasil em junho de 2002, fabricado em São José dos Pinhais, no Paraná, com os motores 1.6 (101 cv) e 2.0 (116 cv) do Golf.  Em outubro foi lançado o Sedan, que voltou a ter um estilo próprio, já que o Cordoba assumiu uma outra identidade. Apesar de elegante, o Polo Sedan era um pouco conservador, principalmente nas lanternas traseiras. Chegou a ser exportado para a Europa, mas não fez sucesso (europeu prefere os hatches), ficando restrito aos mercados emergentes.


Antes, em agosto, foi adicionado ao catálogo do hatch o motor 1.0 de dezesseis válvulas do Gol. Rendia 79 cv, mas em 2003, quando o governo acabou com o desconto de IPI para carros 1.0, a cilindrada já deixou de ser oferecida em menos de um ano. Um mico no mercado. Para corrigir o erro, a Volkswagen tornou flex (podendo ser abastecido com álcool ou gasolina) o 1.6, que passou para 104 cv com álcool, já para a linha 2004.

O interior, apesar do painel de desenho vertical, com a parte central destacada, ficou ainda mais requintado. O Sedan tinha uma tampa no vão superior central do painel, como se fosse um porta-objetos. Mas com o tempo foi retirado para cortar custos.


Na Europa, o Polo hatch tinha duas ou quatro portas. Ele recebeu o moderno motor tricilíndrico 1.2, que, mesmo sem turbo, deu origem ao 1.0 TSI usado hoje, inclusive no Brasil. Tinha duas opções de potência: 54 (6 válvulas) ou 63 cv (12v). Também eram oferecidos o 1.4 16v aspirado de 100 cv (a versão de 8v chegou a ser usada na nossa Kombi) e o 1.9 turbodiesel de 100 cv.  Na lista de equipamentos opcionais deles apareciam controles de tração e estabilidade, airbags laterais, bancos em couro, teto solar elétrico e navegador.

Quatro versões interessantes de lá: a Polo Fun, de aparência aventureira (uma mania brasileira que também existe lá), a GT, com motor turbodiesel 1.9 de 130 cavalos, a GTI, que tinha motor de cinco cilindros 1.8 de 20 válvulas com 150 cavalos (chegou a ser importada em pequenas quantidades para o Brasil), e a GTI Cup Edition, com este mesmo motor de potência elevada para 180 cv. As duas últimas, lançadas depois do face-lift que o Polo ganhou em 2005 na Europa e 2006 no Brasil.


Polo Fun


Os faróis redondos separados da grade foram agrupados num conjunto ótico e envolvendo a entrada de ar, agora maior, e o para-choque dianteiro, formando um efeito visual em V. No interior de cada farol, o projetor de luz tinha o emblema VW. Na traseira, as lanternas ganharam elementos circulares, inclusive no Sedan, só que em menor tamanho. A Polo Fun mudou de nome para CrossPolo.


Cross Polo


Em 2009, no Brasil, o motor 2.0 passou a ser flex, rendendo até 120 cv com álcool e 116 cv com gasolina, e ficou restrito ao sedã e à nova série especial GT do hatch. E o Polo também ganhava opção do câmbio automatizado i-Motion. 

Aqui, o Polo continuou ganhando novidades, como a versão E-Flex, que aquecia o álcool nas partidas a frio, dispensando o tanquinho de gasolina, o Bluemotion, com motor 1.6 a gasolina (na Europa usava o diesel), rodas estreitas, câmbio de relação longa e grade quase selada. Tudo para economizar combustível. E a opção do câmbio automatizado i-Motion, com apenas uma embreagem e cinco marchas.


Por fim, em 2011, em vez da nova geração, ganhamos mais um face-lift, inspirado no Vista, a versão do modelo na África do Sul, que deixou grade e para-choque retos, mas manteve o desenho dos faróis, agora com lentes escurecidas. Em 2014, o Polo de quarta geração deixou o mercado brasileiro.

5a Geração (2009)

A quinta geração, de 2009, apresentou um novo desenho para a carroceria. Faróis e grades seguiram um novo padrão Volkswagen usado até hoje, como a grade escura e reta, já usado no Scirocco e no Golf. Para o Brasil só serviu de inspiração para o face-lift do nosso Gol, tanto nos faróis quanto nas lanternas.


O interior voltou a unir painel e quadro de instrumentos num só conjunto, mas deu destaque a cobertura dos instrumentos. O desenho ficou conservador. O acabamento, claro, foi aprimorado. Na lista de equipamentos teto solar digital, ar-condicionado digital dual zone, sistema de navegação e áudio com comandos por toque, airbags frontais, laterais (maiores) e do tipo cortina, controle de estabilidade em todas as versões, encostos de cabeça ativos e fixação Isofix para cadeiras de crianças.

Os motores 1.2 e 1.4 ganharam turbo e injeção direta, passando a render 105 e 160 cv. O movido a diesel passou a ser 1.6 de 105 cv. Entraram em cena as transmissões automatizadas DSG de dupla embreagem e sete marchas como opcionais. Esta geração foi a primeira a ganhar o título de Carro do Ano europeu para o Polo, em 2010.



Esta quinta geração chegou a ter uma versão sedã chamada Vento. Foi especulada para o Brasil, mas ficou restrita a países como a Índia. Acabou não vindo também. Mas foi lançada na Argentina, com nome de Polo mesmo, pois o nome da corrente de ar batiza o Jetta por lá. Em 2014 ganhou um face-lift, quase imperceptível.


Face-lift do Polo apresentado no Salão de Genebra 2014 - Fotos: Gustavo do Carmo 


6a Geração (2017, inclusive no Brasil)

Se não tivemos a quinta, tivemos a sexta, que não mudou radicalmente o seu estilo em relação a anterior. Ganhou faróis em LED e lanternas tridimensionais, mas suas linhas lembram bastante a geração que substituiu. Internamente, se destaca pelo painel horizontal com aplique em cores variadas, quadro de instrumentos virtual e sistema multimídia embutido. 


A versão básica Trendline disponibilizava, de série, na Europa, sistema de posicionamento diurno em LED com função Coming and Leaving Home, limitador de velocidade e o sistema de monitoramento da área de assistência frontal com frenagem de emergência em cidade com monitoramento de pedestres.

Na mecânica foram oferecidos motores 1.0 aspirado (MPI), turbo com injeção direta (TSI), gás natural (TGI), além do moderno 1.5 TSI com desativação parcial de cilindros e o 2.0 TSI de 200 cv para a versão esportiva GTI. Outras versões tinham a opção do pacote de personalização R-Line.  


Construído sobre uma plataforma modular (MQB A0), foi lançado no Brasil em 2017, quase menos de cinco meses depois da versão europeia, numa rapidez já rara em nosso país. Naquela época, o governo era do presidente Michel Temer e o atraso na vinda de novos modelos tinha voltado com os governos do PT. 


Fabricado em São Bernardo do Campo, SP, chegou ao nosso mercado com três opções de motores: 1.0 MPI. de três cilindros aspirado, 1.6 MSI, de quatro cilindros e dezesseis válvulas, e 1.0 tricilíndrico turbo, chamado de 200 TSI, fazendo referência ao torque de 200 Nm. As versões eram a básica, com motor 1.0 MPI e 1.6 MSI, Comfortline e Highline, estas duas com motor TSI. 

A frente do nosso era ligeiramente diferente do europeu. O para-choque dianteiro tinha abertura maior e luzes de LED ao lado dos faróis de neblina. Os faróis, com luzes diurnas de LED integradas lá na Europa, e o interior foram simplificados, mas foi oferecido o quadro de instrumentos virtual, como opcional. Em compensação, o brasileiro tinha saída de ar para o banco traseiro.  


Em fevereiro de 2018, chegou ao mercado o sedã Virtus. Da frente para a coluna central era igual ao hatch, mas para trás tem estilo que lembra um cupê de quatro portas, muito parecido com a última geração do Jetta, sedã médio, vendido no Brasil. Apesar da mesma plataforma modular, tem distância entre-eixos maior que o hatch: 2,65 contra 2,57 metros. O comprimento é de 4,48 metros. Já a largura de 1,75 m e a altura de 1,47m são os mesmos do Polo. As versões e motores eram praticamente os mesmos do Polo, com exceção da ausência do 1.0 MPI no Virtus. 


No mesmo ano, Polo e Virtus com motor 1.6 ganharam câmbio automático. A série especial Beats também foi oferecida no mercado brasileiro, só que mais discreta que o europeu, sem mudar o para-choque. Acrescentava apenas subwoofer e amplificador no hatch e no sedã. 


Em 2020, Polo e Virtus ganharam a versão esportiva GTS, com motor 1.4 TSI ou 250 TSI e faróis com luzes diurnas de LED integradas. 

Na Rússia, no mesmo ano, o Polo ganhou uma versão sedã, derivada do Skoda Rapid, com a plataforma PQ25, uma evolução da PQ24. Tinha motores 1.6 de 90 (com câmbio manual de cinco marchas) ou 110 cavalos (automático de seis) e 1.4 TSI de apenas 125 cv (DSG de dupla embreagem de sete velocidades). A frente tinha estilo do Nivus e a traseira do Voyage, com placa no para-choque. A tampa do porta-malas abria junto com o vidro. Só durou três anos. 

O Polo russo

No ano seguinte, o Polo europeu ganhou um face-lift que mudou levemente os faróis, grade, para-choques e lanternas traseiras, que ganharam um prolongamento na tampa do porta-malas, que adotou o novo logotipo da Volkswagen, presente também no novo volante. 


A mudança só chegou ao Brasil em 2023, sem o prolongamento das lanternas do Polo, mas com novos elementos internos das luzes, o novo emblema e a assinatura Polo centralizada. E ainda reduziu a potência do motor 1.0 turbo. A versão básica ganhou motor 1.0 TSI e câmbio manual. Os faróis e grade do Virtus ficaram diferentes do Polo, para dar mais personalidade ao sedã, que perdeu a versão GTS, substituída pela luxuosa Exclusive.




Em 2023, foi lançado o Polo Track, versão mais barata com motor 1.0 MPI, criada para substituir o Gol, que saiu de linha. Embora seja um Polo, a Volkswagen quis afastá-lo da sua imagem sofisticada, assinando apenas Track embaixo do emblema da marca. 


A plataforma MQB A0 ainda deu origem aos utilitários esportivos T-Cross e o SUV-Cupê Nivus (Taigo na Europa). Os faróis do face-lift do Virtus, inclusive, vieram deste último, que também herdou a versão GTS, que saiu do Polo. Mas tudo isso já é outra história. 




7a Geração - ID.Polo (2026)

Na sétima geração, o Polo passa a integrar a linha ID, de veículos elétricos da Volkswagen, que já tem o ID.3, ID.4, ID.7 e ID.Buzz, esta última a sucessora espiritual da Kombi. O objetivo é concorrer com os elétricos chineses e outros europeus, como o Fiat Panda, Renault 5, Citroën e-C3, Opel Corsa e Peugeot e-208. 


O estilo, desta vez, mudou radicalmente, embora os faróis lembrem a geração anterior. Eles são unidos por um friso ilumimado, separado pelo emblema, que também acende, mas só na versão top Style. A tampa que sela a grade é preta, para criar a impressão de que é aberta. A lateral tem colunas traseiras largas e a porta de trás tem maçaneta príxima ao vidro, para simular que tem duas portas, para fazer uma alusão ao primeiro Polo. As lanternas são finas e unidas por um friso iluminado vermelho. 


O interior é minimalista, com a tela multimídia de 13 polegadas e o quadro de instrumentos de 10", destacados e fixados sobre uma bancada horizontal. No entanto, o comando de climatização voltou a ter botões físicos, assim como o volante achatado acima e embaixo. O quadro de instrumentos virtual tem opção de layout retrô, que simula o grafismo da segunda geração do Polo, de 1981. O sistema multimídia tem comando de voz. O porta-malas de 441 litros é maior que o do Golf. 


O ID.Polo tem três versões de acabamento, além da esportiva GTI. A básica é chamada de Trend ou Match, dependendo do mercado. A intermediária é a Life e a top a Style. São duas opções de bateria (37 kWh e 52 kWh) e quatro de potência (116, 135, 211 e 226 cv no GTI) distribuídas pelas versões. 

A GTI tem detalhes vermelhos na grade e na costura dos bancos, volante e portas. Ele ainda tem um modo de condução ativado por um botão no volante personalizado que deixa a resposta do motor, a suspensão e a direção mais esportivos. O quadro de instrumentos e a tela multimídia mudam para layouts e gráficos específicos. A autonomia varia entre 329 e 454 km. No GTI é de 424 km.


O Polo virou elétrico para se adaptar aos novos tempos, em que a energia elétrica moverá os carros, garantindo mais alguns anos de história para o hatch compacto.  


TEXTO: GUSTAVO DO CARMO | FOTOS: DIVULGAÇÃO E GUSTAVO DO CARMO (POLO 2014)



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