A Toyota foi a primeira fabricante do mundo a lançar um carro híbrido de grande volume de produção: o Prius, em 1997, hoje na quarta geração. Também foi pioneira na comercialização em série de um carro movido a hidrogênio: o Mirai, que teve a segunda geração apresentada no ano passado. 

O híbrido Toyota Prius de primeira geração (1997-2004)

Toyota Prius de segunda geração já com face-lift (desde 2015)

A primeira geração do Mirai, movido a hidrogênio (2015-2020)

A segunda geração do Mirai (2020)

Mas somente agora a marca mais vendida do mundo está entrando na onda dos modelos total e genuinamente elétricos com o crossover bZ4X. O nome é estranho, né?. Parece senha de banco. Mas as duas primeiras siglas significam Beyond Zero, ou "Além da emissão Zero", o 4 representa o porte do modelo (médio) e o X indica tratar-se de um fora de estrada. O estilo bem reto lembra rapidamente o RAV4, o Yaris Cross e o nosso conhecido Corolla Cross. 


Mas o bZ4X tem aparência mais esportiva, com teto mais baixo e coluna traseira mais inclinada que os irmãos híbridos. A frente é pronunciada, sem grade entre os faróis angulosos e são iluminados por quatro pixels e a luz diurna bem horizontal, alinhada ao friso cromado do aplique em preto brilhante que substitui a grade. A cobertura dianteira das rodas, que podem ter até 20 polegadas, se estende até o para-choque, onde fica a pequena entrada de ar. 


Já a traseira é delineada pelas lanternas, formadas por um iluminado friso contínuo horizontal, um par diagonal de luzes na tampa do porta-malas, que também tem uma saliência no meio, e uma estranha estrutura em forma de bumerangue já na lateral, onde só há dois pontos de iluminação, ambos horizontais, bem espaçados, que se conectam às já citadas luzes na tampa do porta-malas. A ponta inferior deste "bumerangue" é apenas um aplique. 


O bZ4X estreia a nova plataforma para modelos eletrificados e-TNGA, que foi desenvolvida em parceria com a Subaru, que também terá o seu modelo elétrico. A bateria faz parte do chassi, sobre o qual é montada estrutura da carroceria e o assoalho do habitáculo. A carroceria parece compacta, mas mede 4,60 metros de comprimento (8,5 cm menor que o RAV4), 1,60 m de altura e 2,85 m de distância entre-eixos (16 cm a mais). 



Por dentro, o novo elétrico da Toyota recorre ao já manjado recurso estético da tela multimídia destacada, mas a sua disposição é mais criativa, pois a tela, aparentemente de 10 polegadas, está integrada ao console flutuante. 



O sistema de infoentretenimento pode ser atualizado remotamente. O quadro de instrumentos, que é eletrônico e de 7 polegadas, fica afastado do volante, instalado em uma espécie de óculos 3D fora dos olhos, colocado acima da coluna de direção, que também é eletrônica, sem comunicação mecânica com as rodas. Haverá a opção de um manche em vez do volante. O acabamento tem painel com revestimento macio e tecido texturizado. O porta-malas tem piso regulável e 452 litros de capacidade. O teto solar pode ser panorâmico. 



Não foram divulgadas muitas informações sobre equipamentos, apenas o maior destaque: a terceira geração do Toyota Safety Sense, que agora identifica veículos que vêm no sentido contrário da pista e reduz a velocidade ou imobiliza o carro. O modelo também terá bancos e volante aquecidos. 




O bZ4X tem duas versões de tração, que é relacionada com a quantidade e posição de motores. A integral tem duas unidades de 80 kW (ou 109 cavalos) de potência cada, somando 218 cavalos. A opção com tração dianteira tem um único motor de 150 kW (ou 204 cv), que vai no eixo da frente. 

A bateria de íon de lítio tem 71,4 kWh de capacidade, é refrigerada a líquido e pode ser carregada em postos rápidos com 150 kW em corrente contínua.  O novo crossover terá como opcional um teto com painel solar. Haverá também energia regenerativa. O veículo pode servir até como gerador residencial. A Toyota estima que a bateria pode se degradar em apenas 10% após 10 anos ou 240 mil quilômetros. 


A autonomia vai a 496 km, no ciclo WLTC, na versão com motor único, que acelera de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos, ou 456 km na versão de dois motores, que acelera em 7,7 segundos. O bZ4X com tração integral (também desenvolvida em parceria com a Subaru) tem vários modos de condução como neve, lama, neve profunda e controle de aderência a menos 10 km/h. Ele também pode ser dirigido usando apenas um pedal, que dependendo da forma como se pisa, funciona como freio. 

Apresentado inicialmente como conceito no Salão de Xangai, no país berço do Coronavírus, o Toyota bZ4X chegará aos mercados chinês, japonês, norte-americano e europeu em meados de 2022. Para o Brasil, para variar, não há nada confirmado, embora a matriz tenha interesse em eletrificar e hidrogenizar seus modelos em todo o mundo no futuro. Mas o compacto C-HR nunca chegou por aqui porque a marca japonesa achou seu custo de produção e importação muito caro. 


TEXTO: GUSTAVO DO CARMO | FOTOS: DIVULGAÇÃO