COMPARATIVO - SUVs COMPACTOS


O Nissan Kicks foi lançado originalmente em 2016, bem na época dos Jogos Olímpicos disputados no Rio de Janeiro. Era um projeto latino-americano, desenhado no Brasil, que começou sendo fabricado no México, mas logo passou a ser produzido aqui. 

Passados quase dez anos, os concorrentes evoluíram. O Honda HR-V e o Peugeot 2008, por exemplo, ganharam uma nova geração e surgiu o Volkswagen T-Cross em 2019, que já passou por um face-lift. Para enfrentar estes três modelos renovados, o Kicks também precisou se renovar e ganhou uma geração inteiramente nova em 2025. 

Por isso, decidi desafiar o novo Nissan Kicks, na versão top Platinum, para ver se ele realmente evoluiu e tem condições de brigar com os rivais citados anteriormente: o Honda HR-V EXL, versão mais completa com o motor 1.5 aspirado, pois as mais caras Advance e Touring usam o motor 1.5 turbo; o Volkswagen T-Cross Comfortline, top com o motor 1.0 TSI (a Highline e a Extreme têm o 1.4 TSI); e o Peugeot 2008 Allure, já que a mais equipada é a GT, que é híbrida leve (eu até queria considerar esta versão, mas não encontrei dados de teste). 


4º Nissan Kicks Platinum 220T 


E a resposta vem logo de cara. O Kicks evoluiu em estilo, acabamento, motor e equipamentos, mas ficou atrás dos três concorrentes. 

Seu visual chama atenção, tanto na frente quanto na lateral. Só perde para o Peugeot 2008. Ele tem o melhor acabamento dos quatro, com painel e portas forrados com muito material macio e direito a tecido no painel. 

No espaço interno, só é mais apertado que o Honda HR-V na soma dos pontos das três medições da revista Quatro Rodas. Ficou em segundo no comprimento (95 contra 98 cm) e na largura (148 contra 151 cm), mas na altura, ficou em terceiro (92 cm), mais baixo que o Volkswagen T-Cross (94 cm) e o Peugeot (97 cm). Seu porta-malas de 470 litros é insuperável. 

Além do melhor acabamento e do maior bagageiro, o Kicks tem a lista de equipamentos mais generosa. Ainda que o ajuste elétrico dos retrovisores seja um opcional por 578,64 reais e seu ar condicionado digital seja de apenas uma zona e não tenha saída para os passageiros de trás, ele se destaca por ter uma tela multimídia de 12,3 polegadas, rodas de 19 polegadas, câmera de 360º, ser o único com som de grife, da marca Bose, e teto solar panorâmico, além de muitos equipamentos de segurança, como seis airbags, piloto automático adaptativo de nível 2, frenagem automática com reconhecimento de pedestres, alerta de objetos no banco traseiro, alerta de tráfego cruzado traseiro, detectores de fadiga e de ponto cego e assistente de manutenção em faixa. 

Também não faltam quadro de instrumentos eletrônico, espelhamento sem fio com smartphones Android e Apple, carregador de celular por indução, bancos de couro, paddle-shift, sensores de chuva e crepuscular, trio elétrico, freio de mão eletrônico, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e chave presencial. 


O Kicks também foi bem na segurança. Mas graças aos equipamentos, que ajudaram nos pontos para ele ficar em segundo lugar, empatado com o T-Cross, perdendo apenas para o HR-V. Isso porque na frenagem foi instável. Ficou em segundo a 120 km/h, com 54,2 metros, mas em último a 80 km/h, com 25,2 metros, ambos os números da revista Quatro Rodas. 

Mas os bons resultados terminam aqui. O Kicks ficou em último no motor (seu 1.0 turbo tem apenas 120 cavalos com gasolina e 125 cv com álcool) e no câmbio, um automatizado de dupla embreagem. Ele também é lento (acelera de 0 a 100 km/h em 12,7 segundos e retoma entre 80 e 120 km/h em 8,8 segundos, segundo a Quatro Rodas), gasta mais combustível (11,7 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada, média de 12,55 km/l, também de acordo com a Quatro Rodas) e é o mais ruidoso (64,1 decibéis a 80 km/h, medido pela publicação da Editora Abril). 

Além de tudo é o mais caro. A versão Platinum custa R$ 199 mil somente na cor Preto Premium. Isso porque em outras cores é preciso pagar mais R$ 2.150 no caso da Azul Oceânico ou R$ 3.150 pela Cinza Grafite, Vermelho Malbec ou Branco Diamond, todas com teto preto. E ainda tem os opcionais como retrovisores elétricos e alarme volumétrico (R$ 475,26). Todos aqueles equipamentos têm um preço. Para completar, a rede de concessionárias da Nissan é a segunda pior, com apenas 180 postos. 

Em resumo, com apenas 29 pontos, o comparativo mostrou que o Nissan Kicks evoluiu, mas não conseguiu acompanhar os seus concorrentes. 



3º Volkswagen T-Cross Comfortline 200 TSI  


O Volkswagen T-Cross foi lançado em 2019 e ganhou um discreto face-lift em 2024, com direito a friso traseiro iluminado. A versão mais completa com motor 1.0 TSI, para fazer frente ao Kicks, é a Comfortline, que é a terceira mais cara da linha e custa R$ 181.990, que só é mais barata que o Nissan. 

Este preço vale apenas para a cor Preto Ninja. A Branco Puro custa 900 reais a mais. Por R$ 1.750 tem a Azul Norway, a Cinza Platinum e a Prata Pyrit. A perolizada Vermelho Sunset tem o mesmo valor das metálicas. 

O preço é apenas um dos itens em que o T-Cross ficou em posição mediana, tal como a lista de equipamentos. Tem ar condicionado digital de apenas uma zona, trio elétrico (retrovisores com rebatimento elétrico), direção elétrica, sistema multimídia com tela de 10 polegadas, espelhamento sem fio com Apple e Android, carregador de celular por indução, quadro de instrumentos eletrônico, faróis e lanternas full-LED, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, rodas de liga-leve de 17 polegadas, chave presencial, revestimento premium dos bancos, saída de ar traseira, paddle-shifts no volante e sensor crepuscular. Só falei os itens de conforto e conveniência. 

Sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, luzes de leitura dianteiras são opcionais que vêm em um pacote que também tem teto solar panorâmico, chamado Sky View, que custa R$ 8.350. Há, ainda, outro pacote mais barato, chamado Design View, que traz revestimento dos bancos parcialmente em couro e aplique escurecido no painel, por R$ 3.570. 

Ele também ficou em terceiro lugar no estilo (muito reto, ficou atrás do Peugeot 2008 e do Kicks), acabamento (tem muito plástico duro no painel e nas portas, só tem uma faixa emborrachada no meio do painel), espaço interno (tem 94 cm para as pernas, 147,5 cm de largura e 94 cm para a cabeça, este ficando atrás somente do Peugeot), câmbio (automático de seis marchas) e conforto (nível de ruído a 80 km/h de 63,7 decibéis). 


O T-Cross somou 34 pontos e ficou em terceiro no geral, sem ficar um único item em último lugar. O que contribuiu para esta posição foram os vários resultados medianos citados acima, aliados aos poucos bons resultados. Um deles é o porta-malas de 373 litros, um litro a menos que o Peugeot 2008, com quem empatou tecnicamente, só perde para o Kicks. 

O outro bom resultado foi na segurança. Apesar de não ter assistente de manutenção em faixa, detector de ponto cego e nem alerta de tráfego cruzado, o T-Cross oferece de série seis airbags, piloto automático adaptativo, frenagem automática, reconhecimento de pedestres e detector de fadiga, uma posição mediana. Na frenagem para em 24,4 metros a 80 km/h (atrás apenas do Honda HR-V) e 56,3 metros a 120 km/h. Na soma de equipamentos e frenagem ficou em segundo lugar.

Também foi vice na potência a álcool do motor 1.0 TSI, de 128 cavalos, só ficando atrás do 2008. Mas com gasolina são apenas 116 cv. Se eu considerasse a média, seria mais um resultado mediano. Sem discussão se saiu bem no desempenho, com aceleração de 0 a 100 km/h em 11,4 segundos e retomada entre 80 e 120 km/h em 7,8 segundos, melhor que o Peugeot, mas foi empate técnico. Como o francês fez em oito segundos, venceu no desempenho, pois foi mais rápido na aceleração.  

A única vitória técnica foi no consumo de 12,6 km/l na cidade e 15,7 km/l na estrada, com média de 14,1 km/l. Isso porque a outra vitória foi na rede de assistência, graças ao maior número de concessionárias: 472, um mérito da Volkswagen. 

Foram apenas duas vitórias no geral, que fizeram com que o T-Cross perdesse o segundo lugar para o Peugeot 2008 por apenas um ponto. 



2º Peugeot 2008 Allure T200 

Foto ilustrativa

Se o comparativo contasse apenas as vitórias, como eu fazia antigamente, o Peugeot 2008 sairia vencedor. Foram seis. Começando pelo estilo futurista e equilibrado da atual geração, que só chegou ao Brasil em versões mais baratas, importadas da Argentina, em 2024, depois do face-lift imponente empregado na Europa. A frente original, de 2020, com o logotipo antigo da Peugeot, era exclusiva da versão elétrica, vinda da França, que já saiu de linha. A linha 2026 traz colunas e teto pretos na versão Allure. 

O 2008 também se destaca por ser o mais potente com álcool: entrega 130 cv. Com gasolina a potência é de 125 cv e fica atrás do HR-V, que tem 126 cv com os dois combustíveis. Com o Honda, o Peugeot divide o melhor câmbio, que é um CVT de sete marchas simuladas. No desempenho, o franco-argentino é o mais rápido, acelerando até 100 km/h em 10,6 segundos e retomada entre 80 e 120 km/h em oito segundos. Outra medição que o 2008 se saiu o melhor foi no ruído de 59,3 decibéis a 80 km/h. 

Finalmente, o Peugeot é o mais barato. Na versão Allure, a segunda mais cara, tem preço de tabela de R$ 168.990. Mas comprando direto no estoque da montadora, ou seja, pela internet, há uma promoção que baixa o preço para R$ 145.990. Mas este valor só é encontrado na cor Preto Perla Nera. Nas demais cores (Cinza Artense e Selenium, metálicas e a perolizada Branco Nacre) custa 2 mil reais a mais. 

Foto da versão GT

Mas o 2008 só é o mais barato porque é o menos equipado. Apesar de ter ar condicionado digital de apenas uma zona, trio elétrico, sistema multimídia de 10 polegadas, com espelhamento sem fio com Android e Apple, câmera 360º, carregador de celular por indução, quadro de instrumentos digital, freio de mão eletrônico, faróis e lanternas traseiras em LED, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, rodas de liga-leve de 17 polegadas, chave presencial, bancos em couro sintético e sensores de chuva e faróis, ele não tem rebatimento elétrico dos retrovisores externos, faróis de neblina, saída de ar traseira, retrovisor eletrocrômico, teto solar, som premium e nem borboletas no volante para mudança do câmbio. E também nada de piloto automático adaptativo, frenagem automática, detector de pedestres, assistente de manutenção em faixa, alerta de tráfego cruzado e nem detector de fadiga. E os airbags ainda são apenas quatro. 

A falta de equipamentos acabou prejudicando a classificação do Peugeot na segurança, pois na frenagem ele foi bem, principalmente a 80 km/h, onde parou em 24,7 metros, empatado tecnicamente com o T-Cross, de quem ficou atrás por apenas dez centímetros a 120 km/h: 56,4 metros. Na soma das classificações em equipamentos e segurança, o 2008 ficou em último. 

O acabamento tem muito plástico duro no painel. Aliás, não tem praticamente nada de toque macio. Só no puxador das portas. No espaço interno, ele é apertado para as pernas (89 cm) e ombros (largura de 143 cm), mas é mais espaçoso para a cabeça (97 cm). Porém, ficou para trás dos três concorrentes na soma dos pontos. Para completar, a rede de concessionárias da Peugeot é a menor das quatro marcas envolvidas neste confronto. São apenas 118 postos.

As seis vitórias foram suficientes para dar o segundo lugar ao Peugeot 2008, com 35 pontos. Mas teve dois itens em que o modelo da Stellantis ficou em segundo lugar: um foi no porta-malas de 374 litros, apenas um litro a mais que o Volkswagen, o que eu considerei um empate técnico. O outro foi no consumo de 11,2 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada, média de 13,25 km/l, um pouco atrás, mas empatado tecnicamente com o Honda HR-V, o vencedor do comparativo por apenas um ponto. 



1º Honda HR-V EXL 1.5 


O Honda HR-V foi o melhor em apenas três itens: espaço interno, câmbio e segurança. Mas ficou em segundo em seis: acabamento, consumo, conforto, preço, equipamentos de série e assistência. 

Na primeira vitória, foi superior no espaço para as pernas (98 cm de comprimento) e os ombros (largura de 151 cm). Só ficou em último na altura interna, de 91 cm. O melhor câmbio ele dividiu os louros com o Peugeot 2008, já que ambos têm o CVT de sete marchas. E na segurança foi absoluto na frenagem, parando a 80 km/h em 23,8 metros e a 120 km/h em 52,9 m, mas ficou em segundo na relação de equipamento, perdendo apenas para o Kicks. Só falando dos itens de segurança, o HR-V EXL tem seis airbags, o pacote Honda Sensing com piloto automático adaptativo, sistema de frenagem automática, reconhecimento de pedestres, assisttente de manutenção em faixa e ajuste automático de farol, que faz parte do pacote. Só não tem alerta de tráfego cruzado, detector de fadiga e o controle de ponto cego é feito por uma câmera no retrovisor, o que agrada alguns, mas incomoda outros. 

Aproveitando a lista de equipamentos de segurança, podemos dizer que o HR-V tem o melhor custo-benefício dos quatro, pois, se no preço (R$ 174.300, só na cor Branca Tafetá Sólida), ele só perde para o Peugeot, que tem poucos equipamentos, nos equipamentos ele só fica atrás do Kicks, que é o mais caro.

Antes de falar dos equipamentos, deixa eu citar as outras cores do HR-V. Além da Branco Tafetá, ele tem as metálicas Prata Platinum, Cinza Basalto e Azul Cósmico, e as perolizadas Cinza Titanium, Vermelho Supernova, Branco Topázio e Preto Cristal. Todas custam R$ 2.200, exceto a Branco Topázio, que adiciona mais R$ 2.500. 


Enfim citando os itens de série, o HR-V ELX traz ar condicionado digital de duas zonas (é o único a oferecer para os dois lados da cabine), trio elétrico, direção elétrica, retrovisores com rebatimento automático, sistema multimídia com espelhamento sem fio, câmera de ré, carregador de celular por indução, freio de mão eletrônico, faróis e lanternas de LED, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, rodas de liga-leve de 17 polegadas, chave presencial, bancos em couro, saída de ar traseira, retrovisor eletrocrômico, borboletas no volante, sensor de chuva e faróis. Pena que a tela multimídia tem apenas 8 polegadas, o quadro de instrumentos é parcialmente eletrônico e não tem teto solar e nem som premium. 

O acabamento é bom, mas não é o melhor. Tem revestimento macio apenas no meio do painel e nas portas dianteiras. O nível de ruído de 61 decibéis a 80 km/h só é mais alto que o 2008. A média de consumo de 13,55 km/l (12,7 km/l na cidade e 14,4 km/l na estrada) também ficou muito próxima do Peugeot e acabei considerando empate técnico. Na assistência, a Honda tem 215 concessionárias, menos que na Volkswagen. 

O Honda HR-V venceu, mas não deixa de ter pontos fracos. O motor flex, único 1.5 aspirado do comparativo, contra o 1.0 turbo dos outros três, tem 126 cavalos e ficou em terceiro lugar, mesma posição do desempenho, com aceleração de 11,8 segundos e retomada de 8,6 segundos. 

Seu porta-malas de 354 litros é o menor dos quatro. E seu estilo cupê atrás e alto na frente não me agrada. 

Apesar dos defeitos, o Honda HR-V mostrou regularidade, somou pontos preciosos com os seis segundos lugares e três vitórias e é o campeão do comparativo com 36 pontos, um a mais que o segundo colocado, o Peugeot 2008. 



TEXTO: GUSTAVO DO CARMO | FOTOS: DIVULGAÇÃO
DADOS DE TESTE (DESEMPENHO, CONSUMO, FRENAGEM, RUÍDO E ESPAÇO INTERNO): REVISTA QUATRO RODAS

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