O lançamento, no final de junho, da segunda geração da Fiat Strada, primeira picape compacta com opção de cabine dupla de quatro portas e cinco lugares do mercado, deu uma sacudida num segmento que parecia em extinção, pois não dá lucro para o mercado externo (só aqui no Brasil). Porém, a concorrência ainda não se mexeu.
A Strada de cabine simples, pelo menos, ainda tem dois concorrentes: a Volkswagen Saveiro e a adormecida Chevrolet Montana. Teria três se a Peugeot não tivesse tirado a Hoggar de linha tão cedo, em 2014. Só não fiz um comparativo porque não tenho dados de teste da imprensa da Saveiro e nem da Montana.
Já a de cabine dupla só tem a Saveiro Cross. Lançada no mesmo ano do fim da Hoggar, com apenas duas portas, é vendida assim até hoje. Desde então, só ganhou o motor 1.6 16v e um ligeiro face-lift em 2016. É, portanto, a única com condições de desafiar a Strada, que vai para o duelo na versão top Volcano, com motor 1.3 8v Firefly e câmbio manual.
Estilo e Acabamento
Mesmo sendo um projeto mais antigo, a Saveiro dá o troco no acabamento, que apresenta plásticos, embora duros, de melhor qualidade e frisos brilhantes no painel, que é usado desde o face-lift de 2016. Na Strada, o material aparenta pobreza para uma picape de mais de 80 mil reais e o quadro de instrumentos é mínimo. (Saveiro 1x1)
Strada (estilo) 1x1 Saveiro (acabamento)
Espaço interno e Caçamba
Apesar de ter uma distância entre-eixos maior (2,75m contra 2,74m), o espaço interno da Saveiro é nitidamente mais apertado e ainda agravado pela falta das portas traseiras, o que dificulta o acesso aos respectivos lugares. O espaço da Strada não chega a ser um latifúndio para as pernas, mas os passageiros vão bem mais confortáveis e ainda cabem cinco pessoas. Na caçamba, os números provam que a Strada oferece bem mais espaço que a rival: 844 contra 580 litros. (Strada 3x1)
Motor e Câmbio
Depois do acabamento, outra mancada da Fiat foi equipar a nova Strada com o fraco motor 1.3 Firefly de oito válvulas, que rende apenas 101 cavalos com gasolina e 109 cv com álcool. A Saveiro, com motor 1.6 16v entrega 110 cv já com gasolina, chegando a 120 cv com álcool. O câmbio é manual de cinco marchas para as duas picapes. Poderia ser de seis, pelo menos. (Saveiro 2x3)
Saveiro (motor) 2x3 (empate no câmbio)



Desempenho e Consumo
A Saveiro é mais rápida na aceleração de 0 a 100 km/h, segundo a revista Quatro Rodas, fazendo 12,4 contra 13,1 segundos. Mas a Fiat reagiu com a melhor retomada, cumprindo os 80 a 120 km/h em 21,5 contra 24,4 segundos, confirmando o empate entre as duas picapes no desempenho. (Empate)
A Strada volta a levar vantagem gastando menos gasolina, percorrendo 12,9 km/l na cidade e 17 km/l na estrada. A Saveiro teve média de 9,9 km/l e 15,5 km/l, respectivamente. (Strada 4x2)
Frenagem (segurança) e Ruído (conforto)
A 80 km/h, ainda de acordo com a Quatro Rodas, a Strada é mais segura, parando em 24,1 metros, contra 26,2 m da Saveiro. A 120 km/h a vantagem foi maior: 56,4 contra 59,7 metros. (Strada 5x2)
A picape da Volkswagen responde com menos ruído, fazendo média de 65,4 decibéis a 80 km/h e 73,4 decibéis a 120 km/h. A Strada ficou com 69,5 e 75 dBA, respectivamente. (Saveiro 3x5)
Equipamentos, Preço e Assistência
A Strada sela a sua vitória no comparativo com o melhor custo-benefício e o maior número de concessionárias. Na versão Volcano, a picape da Fiat custa 82.290 reais (aumentou desde o lançamento) e tem como único opcional as rodas de liga-leve de 16 polegadas, que adiciona mais R$ 2.500, passando para R$ 84.790. De pintura sólida sem custo só há a Preto Vulcano. A Branco Banchisa e a Vermelho Montecarlo custam 900 reais. As metálicas Prata Bari e Cinza Silverstone saem por R$ 2.300 e a única perolizada Branco Alaska custa R$ 2.500. Mesmo com esta pintura e as rodas (preço final de R$ 87.290), a Strada é bem mais barata que a Saveiro Cross, que começa em R$ 93.590 e tem três opções de pintura sem custo (Branco, Preto e Vermelho), além de mais duas cores metálicas por R$ 1.610 (Azul Biscay e Prata Sirius). Strada 6x3
As duas picapes se equivalem em equipamentos. Tanto nos itens em comum, quanto na exclusividade de cada uma e na ausência de itens em ambas. No primeiro caso, elas vêm com ar condicionado, trio elétrico, sistema multimídia, câmera de ré, faróis que só desligam depois de um tempo, assistente de partida em rampa e bancos com ajuste de altura. A Strada entrega mais itens de segurança, como airbags laterais, ganchos ISOFIX para cadeirinhas infantis e controle de tração. Já a Saveiro oferece sozinha o piloto automático, sensores de estacionamento dianteiros e volante com regulagem em alcance (a Strada só tem em altura). As duas também se equivalem nos itens que não têm, como um câmbio automático, um ar condicionado digital e sensores de chuva e faróis. E, sem querer exigir demais, também não têm frenagem automática e assistente de estacionamento, presentes no Hyundai HB20 e no Chevrolet Onix, respectivamente, por exemplo. (Empate)


Com a reestruturação econômica, a Volkswagen fechou muitas concessionárias nos últimos anos e acabou perdendo a longa vantagem que valeu muitos pontos em comparativos anteriores. Agora, a marca alemã, com 540, fica atrás da Fiat, que tem 600. (Strada 7x3)
Strada (preço e assistência) 7x3 (empate nos equipamentos)
Conclusão
Com um projeto mais moderno, a Strada Volcano cabine dupla até que conseguiu vencer por boa diferença. É mais atraente, mais barata, econômica, segura, espaçosa (tanto para os passageiros quanto para a carga) e a sua marca oferece mais postos de assistência, mas precisa corrigir alguns deslizes que acabaram dando pontos à rival.
Mais antiga, tanto na idade (onze anos na atual geração e seis com cabine dupla) quanto no conceito (ainda só tem duas portas) do projeto, a Saveiro Cross só ganhou pontos onde a Strada falhou, como no motor 1.6 16v contra o 1.3 8v da Fiat, no acabamento e no conforto (o ruído foi um reflexo do melhor acabamento). Ela ainda quase teve o melhor desempenho, sendo superior na aceleração, mas perdeu o fôlego na retomada, o que acabou permitindo o empate.
Se quiser continuar viva no mercado com cabine dupla, a Volks tem que acordar e adotar as quatro portas e baixar o preço, pois não dá para recomendar uma picape antiga custando quase cem mil reais.
Já as outras marcas precisam se mexer para sacudir um segmento em que a marca italiana inovou outra vez, como dizia o comercial de lançamento da antiga cabine dupla de três portas.
Se quiser continuar viva no mercado com cabine dupla, a Volks tem que acordar e adotar as quatro portas e baixar o preço, pois não dá para recomendar uma picape antiga custando quase cem mil reais.
Já as outras marcas precisam se mexer para sacudir um segmento em que a marca italiana inovou outra vez, como dizia o comercial de lançamento da antiga cabine dupla de três portas.
TEXTO: GUSTAVO DO CARMO | FOTOS: DIVULGAÇÃO
DADOS DE TESTE: REVISTA QUATRO RODAS
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