Mais uma chance
Por Gustavo do Carmo / Fotos Divulgação
Referências: Portal Alpini, Best Cars e Fabricante

Alfa Romeo, Tempra, Marea e agora Linea. A Fiat apresentou esta semana a sua quarta tentativa de se firmar no mercado brasileiro de sedãs de luxo. Embora tenham conquistado, em trinta anos, muitos fãs saudosos, os sedãs médio-grandes da montadora italiana no Brasil nunca foram uma referência do segmento.

Quando chegou em 1976 a Fiat se representou na categoria, entre 78 e 86, pelo Alfa Romeo 2300. Mas vendia menos que o Opala, o Monza e o Del Rey. Ficou afastada por cinco anos até voltar com o primeiro sedã de luxo com a marca Fiat fabricado no país: o Tempra, projeto derivado do hatch médio Tipo. Este só chegaria ao nosso mercado três anos depois, como importado. O sedã enfrentou Monza, Omega, Santana e Versailles. A terceira tentativa foi há dez anos com o Marea, derivado do Bravo/Brava, sucessor do Tipo. Não conseguiu superar o Vectra, o Astra Sedan, o Civic e nem conquistar os taxistas órfãos do Santana.

Agora é a vez do Linea. E a base para o sedã de luxo da Fiat brasileira passa a ser um carro considerado compacto, o Punto, e não um médio, como foi no passado e seria hoje com o Stilo ou, para manter a tradição, o novo Bravo que chegará no ano que vem. Cheguei a acreditar que fosse o cúmulo da decadência da nossa frota de veículos querer transformar um carro popular em um sedã de luxo para o empresário bem-sucedido. Já imaginava que um dia o Siena ou o Prisma seria o carro do Presidente da República.

Felizmente, a Fiat me tranqüilizou e alongou a plataforma do Punto. Conseguiram o milagre de transformar um compacto premium em um sedã de 4,56 metros de comprimento, 1,73 m de largura, 1,50 m de altura, 2,60 m de distância entreeixos e com 500 litros de capacidade no porta-malas. E o que é melhor: tem o mesmo porte dos seus concorrentes Honda Civic, Toyota Corolla, Renault Mégane e Ford Focus. Só ficou menor que o velho rival Vectra e o C4 Pallas. Aí seria milagre demais.

Aliás, suas linhas laterais lembram bastante o modelo da Citroën por causa das grandes janelas que vão até o limite da coluna traseira, o teto curvado e os ombros em relevo na linha de cintura. A tampa do porta-malas do Linea é mais plana e as lanternas mais horizontais. A frente é parecida com a do hatch que lhe deu origem. Parecida, mas não igual. Seus faróis amendoados são um pouco maiores e a grade, também aumentada, tem moldura cromada, como no Siena.


O interior é muito bem acabado. O painel é quase igual ao do Punto. O console central é o mesmo. Só que tem uma cobertura que vai até o quadro de instrumentos. Tudo para dar um toque mais requintado e conservador. A própria grafia dos instrumentos analógicos tem formato clássico. O estilo acabou lembrando o Tempra. Como no hatch, dependendo da versão, o console pode ser escuro ou prateado. Nas versões mais caras o conjunto é bicolor. A novidade é que na versão top de linha a parte inferior e o estofamento são na cor bege. O espaço para as pernas está dentro da média da categoria.

O banco traseiro é bipartido 60/40 e tem três cintos de segurança de três pontos, além de três encostos de cabeça reguláveis em altura, que são recolhidos quando não há passageiros, para não interferir na visibilidade do motorista. O nível de equipamentos depende da versão escolhida. O Linea tem três: 1.9 16V Flex, Absolute e T-Jet.


O 1.9 é o mais barato e custa R$ 60.900. Tem de série direção hidráulica, o HSD (High Safety Drive), composto por freios com ABS, EBD e air bag frontal duplo, CD player com MP3, vidros elétricos com sistema um toque e antiesmagamento nas quatro portas, ar-condicionado com saída para o banco traseiro, direção hidráulica, espelhos retrovisores externos com comandos elétricos, telecomando para abertura e fechamento das portas, vidros e porta-malas, banco do motorista com regulagem de altura, rodas de alumínio de 15 polegadas, vidros das portas laminados, volante com regulagem de altura e profundidade revestido em couro e com comandos de rádio, computador de bordo A e B, My Car Fiat, faróis de neblina, bancos revestidos em veludo, entre outros.

O sistema Blue&Me, estreado no Punto, que canta os torpedos e a agenda do celular pelo sistema Bluetooth, além de fazer e receber chamadas pelo painel e ainda tem MP3 e entrada USB para pen-drives, é opcional nesta versão, junto com revestimento em couro cinza, piloto automático e sensores de farol e de chuva. O câmbio automatizado Dualogic, de mudança automática ou seqüencial, que estreou no Stilo, também é opcional, mas quem paga três mil reais por ele leva de "brinde" o piloto automático.

1.9 16v e Dualogic
A transmissão eletrônica é de série na intermediária Absolute, de R$ 68.640 e que acrescenta ao básico ar-condicionado automático digital (de apenas uma zona), Blue&Me, sensor de estacionamento, cortina pára-sol no vidro traseiro, interior em couro cinza ou bege, rodas de alumínio 16” com pneus 205/55 (inclusive estepe) e sobretapete cinza ou bege. Um opcional é o espelho retrovisor interno eletrocrômico.

Absolute
Finalmente a top é a T-Jet, que tem motor turbo 1.4 e custa R$ 78.900. Possui todos os itens de série da versão Absolute (exceto o câmbio automático Dualogic) e ainda rodas de alumínio de 17 polegadas com pneus 205/50 (inclusive estepe), sensores de chuva e farol, retrovisor interno eletrocrômico, subwoofer + amplificador + quatro alto-falantes + quatro tweeters, quadro de instrumentos com grafia diferenciada (em itálico), sobretapete exclusivo e revestimento interno em microfibra e tear bege. Como opcionais, air bags laterais dianteiros e air bags do tipo cortina e o exclusivo revestimento em couro bege.

T-Jet 1.4 16v Turbo
As bolsas de ar também aparecem como opcionais nas outras versões, mas a maior atração, também opcional para todos, é o Blue&Me NAV, que trata-se do primeiro navegador por GPS embutido no painel de um carro nacional e não aquele aparelho separado pregado no pára-brisa de diversos carros fabricados aqui. Mas quem esperava ver aquele vistoso e colorido mapa no lugar do display do rádio ou retrátil no centro do painel vai se decepcionar. O navegador do Linea está na pequena tela do quadro de instrumentos e apenas indica o caminho através de voz e setas vermelhas vistas exclusivamente para o motorista. Mas já é um bom começo. Ele recebe informações de um pen-drive que contém mapas de 111 cidades brasileiras que vem incluído no kit de bordo.



Como já foi citado acima o Linea tem duas opções de motor. E ambos inéditos no Brasil. O 1.8 Powertrain dividido com a General Motors deu lugar a um 1.9 (1.850 cm3) 16v bicombustível com potência variando entre 130 e 132 cavalos. A novidade tecnológica está no quinto bico injetor para o sistema de partida a frio. Mas houve um retrocesso em relação ao Marea que tinha cinco cilindros. O 1.9 é fabricado na Argentina. Acelera de 0 a 100 km/h em 10,7 segundos com gasolina e 10,5 seg. com álcool. A velocidade máxima varia entre 186 e 188 km/h. Na cidade, ele roda 11,5 km com um litro de gasolina e 8,1 km com um litro de álcool; na estrada, faz 15,3 km/l (gasolina) e 10,7 km/l (álcool). T-Jet é o nome do motor 1.4 Turbo, também de dezesseis válvulas, que rende 152 cavalos de potência. Ele é fabricado na Itália, onde já equipa o Punto Turbo, e é movido apenas a gasolina. O nosso hatch também vai receber o motor. A baixa cilindrada é para proporcionar uma melhor economia de combustível e menor emissão de poluentes. O turbo, um desempenho ágil para os 1.305 kg do sedã repleto de equipamentos de conforto. E os números não mentem, apesar do otimismo da fábrica: consumo urbano de 12 km/l e rodoviário de 16 km/l. Aceleração de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e velocidade máxima de 203 km/h. Vale lembrar que o T-Jet tem o apenas o câmbio manual de cinco marchas.

O projeto do Linea fez a Fiat investir R$ 620 milhões e levou dois anos para ser desenvolvido. Para ter retorno a montadora espera vender 2.500 unidades do Linea por mês, das quais 40% do 1.9 Dualogic, 30% do 1.9 Manual, 20% do Absolute e 10% do T-Jet. O Linea tem garantia de três anos e revisões a cada 15.000 quilômetros. O proprietário conta com uma central de atendimento exclusiva para o modelo, onde o mesmo profissional fará o atendimento do início ao fim. Além disso, tem o programa de relacionamento Clube L’único, com convites exclusivos para shows e eventos, possui uma área exclusiva no hotsite do modelo.

Mais do que o retorno financeiro a Fiat quer que o Linea consiga o que os seus antecessores Alfa Romeo, Tempra e Marea não conseguiram: liderar permanentemente o mercado de sedãs médios e conquistar o exigente executivo bem-sucedido.

Semana que vem: Novo Ford Focus