
O Soul é uma estranha novidade e o Cerato é a nova geração de um sedã médio que tinha participação muito discreta. Ambos chegaram badalados pelo eficiente marketing e dispostos a enfrentar em igualdade os japoneses da Honda.
Por isso eu decidi fazer um desafio dessas duas novidades da Kia contra os seus respectivos concorrentes fabricados no Brasil pela Honda: o monovolume Fit e o sedã City, ambos com motor 1.5 no acabamento EXL .
HONDA FIT EXL 1.5 16v x KIA SOUL 1.6 16v

A Kia lançou no último Salão de Frankfurt, na Alemanha, o monovolume Venga, com a missão de enfrentar o Jazz (como o Fit é conhecido na Europa). Aqui no Brasil a função de concorrer com o Honda, por enquanto, ainda cabe ao Soul, importado (mas que pode ser fabricado no país) que tem um design muito estranho para os padrões brasileiros e até mesmo para os europeus. Por isso, perde para o Fit no quesito design.


O Soul começa a reagir e é mais silencioso e espaçoso do que o Fit. No interior o "carro-design" da Kia só perdeu no porta-malas de 340 litros. O Fit tem 384, ainda assim pequeno para a proposta que tem.




O Fit confirma a vitória no comparativo por ter mais equipamentos de série exclusivos e interessantes do que o Soul. Ambos têm ar condicionado, direção elétrica progressiva, trio elétrico, volante com regulagem de altura, banco do motorista com regulagem de altura, rádio com CD Player, mp3, entrada para USB e iPod e comandos no volante, faróis de neblina, apoio de cabeça para todos os ocupantes, airbag duplo e freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem. Entretanto, o Honda se destaca por ter ar condicionado digital, regulagem de profundidade do volante, computador de bordo, piloto automático e cintos de segurança para todos os ocupantes. O Kia Soul só se destaca pela interessante câmera no para-choque traseiro com projeção no retrovisor interno quando acionada a marcha-a-ré.

Separando o preço dos equipamentos na contagem geral o Soul não resistiu ao Fit e perdeu por 6 a 5.

HONDA CITY EXL x KIA CERATO 1.6 16v

Acontece que a Honda lançou um novo sedã para disputar o segmento dos compactos, mas saiu tão caro que se tornou um concorrente inesperado para o Cerato: o City, de 4,40m de comprimento e 2,55m de entre-eixos. Lançado em agosto, seria fabricado na Argentina mas acabou virando nacional de Sumaré (SP). Poderia ser chamado de Civic Júnior.
Os dois carros são modernos e bonitos mas não têm desenho muito original. Criado por um ex-designer da Audi, o estilo do Cerato tem faróis que lembram o Civic japonês (cujo quais são mais recortados), perfil do antigo Citroën Xsara e lanternas traseiras lembrando a antiga patroa de Peter Schreyer. Construído sobre o chassi do monovolume Fit, o City ganhou faróis do irmão maior Civic, grade do híbrido estrangeiro Insight e perfil e traseira do BMW Série 3.


Ao compará-lo a um modelo que saiu de linha há mais de cinco anos não quis dizer que o Cerato é antiquado, mas tende a se desatualizar mais rápido que o rival, que empolga mais quando é visto, principalmente ao vivo.
O City venceu de novo no acabamento, pois tem mais revestimento nas portas. O Cerato, infelizmente, não repetiu a boa qualidade do Soul, mas também não é rústico como os modelos da Kia nos anos 90. O console central e outros detalhes têm cobertura em aço escovado, o display vertical dos comandos do rádio e climatização é inspirado nos carros da Volvo e o braço central do volante é vazado como virou moda.


O Cerato dominou os itens de mecânica e comportamento. Como o Soul, ele também ainda não tem um motor flex, o que o prejudica no mercado, mas seu motor a gasolina 1.6 16v, o mesmo do utilitário, tem 126 cavalos, onze a mais que os 115cv do City com gasolina. Com álcool a potência é de 116cv. Testados pela revista Quatro Rodas com câmbio automático (de quatro marchas no Kia e de cinco com controle borboleta no volante no Honda), a vantagem do Cerato foi tão mínima que eu declarei empate. A maior diferença foi na aceleração de 0 a 100 km/h: 12,4 contra 12,9 seg. Na arrancada até 1 km a vitória de 33,9 a 34 seg. e na retomada de 80 a 120 kmh, 9,5 contra 9,7 seg. Outras duas vitórias do Cerato foram no consumo e na frenagem. Na cidade, ele andou 10,5 quilômetros com um litro de gasolina contra 8 km/l de álcool do Honda, testado apenas com este combustível. Na estrada, a média foi de 13,9 km/l contra 10,4 km/l. A 120 km/h ele para totalmente em 57,1 metros contra 58 do City, segundo a Quatro Rodas.

Com o fim do desconto do IPI, os preços dos carros subiram. Completo, o Cerato agora custa R$ 58,8 mil, muito mais barato que os R$ 71.860 pedidos pelo City. Ambos trazem de série ar-condicionado digital, direção assistida, vidros, travas e retrovisores elétricos, airbag duplo, CD player compatível com MP3 dotado de entradas auxiliar e USB, comandos do som no volante, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo e alarme na chave, repetidores de seta nos retrovisores, freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição da força de frenagem), faróis de neblina e rodas de liga leve de 16”.
O City tem a mais assistência elétrica de direção (que é mais confortável em manobras), ajuste da profundidade da coluna de direção e revestimento dos bancos em couro, mas ainda assim a diferença de preço é muito grande.
Na segunda parte do desafio comparativo entre Honda e Kia houve um empate em 5 a 5 nos quesitos. Só que entre os sedãs o melhor custo-benefício foi do sul-coreano Cerato, que mesmo se tivesse os itens que o City tem a mais não custaria tão caro assim.

PREÇO - Cerato / MOTOR - Cerato / DESEMPENHO - EMPATE / CONSUMO - Cerato / SEGURANÇA - Cerato / CONFORTO - EMPATE / PORTA-MALAS - City / ESTILO - City / ACABAMENTO - City / ASSISTÊNCIA - City / ESPAÇO INTERNO - Cerato / EQUIPAMENTOS - City
6 Comentários
Porém, no meu ponto de vista, é um Sandero (mesmo porte) equipado.
Não vale o preço que cobram.
Fora do Brasil ele não custa mais de 30.000 reais, e estou falando de Argentina, Peru, Chile...
No Brasil chega o Soul, pagando 30% de imposto de importação, com tecnologia mais nova e melhor desempenho. Pra piorar a situação, agora ainda vem Flex.
Se alguem ficar na dúvida vá conhecer os carros por dentro. Eu fui estes dias e não tive dúvidas.
A posição de dirigir do Soul é de carro grande, voce se sente bem melhor, provavelmente não cansa tanto no transito do dia a dia. Para mim, que tenho 1,86m, ficou extremamente confortavel dirigir.
O Fit antigo fazia incríveis 15km/l na gasolina. Com este novo já me disseram que não faz mais de 11km/l (com a mesma pessoa dirigindo).
Eu sou a favor de novos carros no Brasil. Quando a Honda começou com o Civic aqui tínhamos somente o Vectra no mercado (que era sofrível para o preço que custava), o ganho om o Civic gerou uma melhora em todas as outras montadoras e agora temos Fluences, Fusions, New Civics , Ceratos, Citys, etc.
Para os hatches, quando surgiu o FIT os hatches pequenos começaram a melhorar. Os populares começaram a perder mercado e ter de melhorar sua qualidade.
Agora chegam coreanos e chineses (Estes carros chineses eu ainda não confio, acho que todas as avaliações constam algum problema)
e esses vão começar a fazer o mercado ter de diminuir o preço absurdo dos carros que são praticados no Brasil.
Sabiam que com o preço de um Corsa no Brasil vocês compram um Vectra completo no Peru? E ainda é feito aqui.
Pra completar, ao invés de comprar um new civic por quase 70mil aqui no brasil talvez vocês prefiram comprar um Camaro no Chile... Quase o mesmo preço.
E os carros populares, nosso Sandero no Peru custa 18.000. Mas vem completo!
Que venha o Soul!
Eu até gostei do design, lembra o PT Cruiser renovado.